O BLOG
No vídeo abaixo, você vai ouvir South American Way, samba feito para o filme Serenata Tropical de Jimmy Mac Hugh - Al Dubin.
deixar aqui quase três centenas de músicas gravadas, da nata dos compositores brasileiros. Estes se jogavam a seus pés! São marchinhas, sambas-choro, sambas-jongos e sambas onde impôs sua genialidade, sua personalidade süi generis, seu espírito vanguardista e cosmopolista. Foi multimídia, atuando nos discos, nas rádios, no teatro, cinema e na televisão. 
Seu gosto extravagante, sua imaginação fértil, sua beleza, sua dicção fabulosa, sua voz, seu rítmo, sua bossa, seu it...it...it
Quando ela cansou, em agosto de 1955, deu um jeito de bater as botas com um infarto e foi sambar lá no Céu. Às vezes, ainda dá pra ouvir as suas risadas.
Nestas fotos você acompanha o processo de caracterização artística, feita pelo maquiador Beto França, neste making off que gerou o blog.
Nossa parceria, já dura, cerca de nove anos, quando ele
me maquiou pela primeira vez, ainda no Senac, onde lecionava.
Para mim, isto representou o pontapé inicial para o estudo desta personagem.
Àquela época, quando decidi interpretar Carmen, a primeira coisa que me ocorreu foi: mas eu não sou parecida com ela! Como fazer para trazer a lembrança dela estampada em meu rosto, já que ela, Carmen, tem traços tão característicos?
A caracterização do Beto me trouxe a resposta, e dali em diante, vestida com a máscara da Carmen, entendi o modo como ela usava aqueles traços que ela também criou para si. Os recursos estéticos - boca grande vermelha, sombancelha arqueada - se transformaram em instrumentos de atuação, e é por isso que ela canta sorrindo, com trinta e dois dentes à mostra, erguendo sombrancelhas e revirando os olhos.
Aproximar minha fisionomia à dela não era o suficiente, como não é o suficiente pintar uma boca grande vermelha, colocar um chapéu de frutas e sair por aí...
Esta matéria do jornal Agora ilustra bem a confusão! Primeiro chama a atenção o título macabro, em seguida vem a notícia que coloca os artistas como sósias que ganham o pão com a semelhança de seus ídolos. Embora, eu tenha frisado a diferença do trabalho do sósia com o de um ator que constroi o personagem, através da caracterização, na hora do vamô vê, a coisa foi bem outra. Dá-lhe mídia!
Neste vídeo você ouviu " Cuíca, Pandeiro, Tamborim...", de 1936, samba de Custódio Mesquita, amigo e pianista de Carmen em espetáculos.
Você vai ouvir " Mamãe eu quero - I want my mama", marcha do filme Serenata Tropical, de Jararaca - Vicente Paiva. No filme, de 1940, Carmen é acompanhada pelo Bando da Lua e Garoto.
Continuei a minha pesquisa, a partir da maquiagem, fazendo o que chamei de experimentações.
Nestas experimentações, tentei construir o gestual próprio da Carmen, e me submeti a pequenas platéias
no intuito de testar o personagem, e sobretudo, medir o impacto desta figura, hoje, na nossa cultura, e foi impressionante constatar que a Carmen faz parte do imaginário popular brasileiro.
Para os aultos isso já era esperado, mas com os jovens, ainda que não a conheçam, quando apresentada, ela possui um algo, um " it" que fisga, que a faz ser respeitada, independentemente do estilo musical, estética e outros parâmetros individuais.
O que é que a baiana (portuguesa - carioca) tem?
Observe que engraçado, por um erro gráfico, eu, Viviane Figueiredo, fui interpretada por ninguém menos do que ela, a incrível, Carmen Miranda.O evento acima foi realizado pela APM - Associação Paulista de Medicina, para a Terceira Idade, e foi um sucesso! No meio do show alguns idosos lembraram-se dos carnavais de antigamente e começaram a tirar outros para dançar. Foi lindo! Ao final do show, um senhor chorou, lembrando a esposa falecida que havia conhecido em um carnaval, onde as marchinhas de Carmen embalaram o romance. Estes depoimentos dão sentido à carreira de um artista.
Um dos equívocos que cometi, na primeira fase de pesquisa, foi super lotar a baiana de balangandãs, o que foi engraçado, porque olhando as primeiras fotos da Carmen, nas revistas Cruzeiro, quando havia acabado de "inventar" a sua baiana, também dá para perceber o exagero dela, Carmen, nos balangandãs.
No vídeo acima, você ouviu South American Way, samba feito para o filme "Serenata Tropical" de Jimmy Mac Hugh - Al Dubin, acompanhada do Bando da Lua e Garoto.
Neste vídeo, já na sua fase americana, Carmen aparece cheia de balangandãs, mas existe uma sofisticação no padrão estético e também na própria confecção dos mesmos, onde boa parte já aparecem grudados na roupa.
Nos Estados Unidos, com uma agenda lotada, com shows na Broadway e filmagens em Hollywood, não havia tempo entre uma troca e outra, para colocar vários acessórios, e então suas bijoux se transformam, sempre apresentando a mesma exuberância de cores e formas, mas com um pequeno truque: vários colares em um único; poucas pulseiras, cada vez maiores, entre outros.
O efeito lisérgico que propicia , no entanto, continua, sempre!
Curiosidade: Maria do Carmo Miranda recebeu este nome em homenagem a Carmen de Bizet, e esta outra Carmen, tão passional e inesquecível, eu tive também o prazer de interpretar

